quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Sentimento sem métrica

Sento-me na cama, fecho os olhos, desabo no abismo de minha memória, não quero perder a imagem de seu tímido sorriso. Sorriso que outrora lutei para conquistar.

Um leve suspiro e lembro-me do cheiro suave de seu cabelo, o macio de sua pele, os traços de seu rosto , tudo em volta se dissipa, e ali eu fico minutos, talvez horas, me deliciando apenas com a tenra lembrança.

Tamanha fora a inércia de meu corpo que meus lábios estão secos, arrisco a dizer que estava tão compenetrado na lembrança que até minha respiração parou para não atrapalhar o meu deleite. Com delicadeza, passo a língua sobre meus lábios, e como um relâmpago me lembro do gosto de seu brando beijo, beijo tímido que praticamente não aconteceu, mas que agora tanto me faz falta...

Mais alguns minutos se passam neste devaneio e me pego pensando nesses versos que aqui rabisco, confidenciando ao meu melhor amigo no momento, ele que com sua tela brilhante ilumina o quarto e me lembra e me retira da escuridão de minha mente. Infelizmente, ao lembrar da realidade, lembro que não a tenho do meu lado, lembro que não sei nem se terei. Só espero que agora nossos caminhos acabem se cruzando muitas e muitas vezes.

Escrever esses versos nem um pouco métricos, ortograficamente incorretos e talvez até sem sentido, é o que me faz voltar a respirar, mas principalmente é o que me faz viver, pois coloco para fora o que há em meu coração, e relendo vejo como vale a pena viver, mesmo que seja só para saber que alguem assim existe.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

O flautista.

Parece que foi ontem que a conheci naquela imunda taverna, eu tocava minha flauta e ela se escondia de seu pai. Foram anos de uma paixão ardente como nenhuma outra que já tive, mas ela dizia que eu ficara louco e obcecado depois da guerra, em numa noite do inverno passado ela sumiu...

Passei dias meses sobrevivendo de pequenos furtos até quando decidi ir até onde ela dissera que seu pai e antigo noivo viviam.

Foi uma semana inteira de viagem, meu cavalo dois dias antes do fim aguentara a marcha forçada e acabou por morrer, sem tempo a única coisa que fiz foi pegar um pouco de carne para o resto da viagem, mas valeu a pena, agora no amanhecer do sétimo dia finalmente cheguei.

Em quanto neste domingo Deus descansa eu tenho muito trabalho para fazer, no alto de um morro monto acampamento e começo a observar o terreno a minha frente, no fundo o sol começa a dar o ar da graça, e nas minhas costas as trevas fogem da aurora, o céu multicolorido em um degrade do amarelo ao roxo mais parece um conto de fadas.

Uma plantação de girassois se estende até o final do monte, onde começa uma pequena criação de cabras e algo que não consigo distinguir se são patos ou galinhas, um pouco mais além duas pequenas cabanas que outrora foram motivo de muitas historias engraçadas, mas ve-las só me desperta ódio.

Com cautela mergulho no mar amarelo, vou descendo morro abaixo me aproximando cada vez mais dos animais, o vento como sempre meu companheiro, sopra contra minha direção não deixando meu cheiro chegar aos cães que agora vejo deitados a soleira da porta de uma das cabanas.

Em questão de alguns minutos percebo uma certa movimentação dentro da cabana, recuo alguns centímetros sem comprometer muito a minha visão, de uma das cabanas um velho carcomido, da outra dois jovens, um rapaz minguado e Ela. O velho vai para trás de sua cabana em quanto o jovem se despede com um beijo e um caloroso abraço, ao mesmo tempo o velho volta com uma carroça puxada por dois cavalos, o jovem pula para dentro e os cachorros os seguem, a jovem volta para dentro.

Não sei ao certo quantos minutos se passaram, minha ansiedade era tamanha, meu corpo se afogando em adrenalina, quando ela finalmente voltou a sair o vento mudou de direção, os animais se agitaram, então Ela olhou para minha direção, já sabia que eu estava lá, mas eu não estragaria a surpresa.

Sorrateiro dei a volta na plantação e a segui até um lago alguns metros para trás das cabanas, chegando lá vejo que Ela já estava completamente despida e entrava na agua gelada do início do outono, meus pelos arrepiam só de ve-la nadar naquela água.

Seus lindos cabelos negros colados no corpo nos mostra a perfeição de todas as suas curvas, sua cintura fina faz com que seus quadris pareçam mais ainda avantajados, seus seios são do tamanho correto, nem grandes e nem pequenos, e suas coxas, há suas coxas, como eu as amava.

Saindo da água, ela solta:

- Hum, pronto.

Anos como batedor do exercito de sua majestade me fez silencioso mesmo quando tomado pela fúria, corro desembainhando minha adaga, um salto, e um golpe preciso. Agora meu braço está em torno de seu pescoço e a adaga em sua têmpora.

Alguns longos segundos são quebrados novamente com aquela linda voz.

- Olá amor.

- Surpresa em me ver?

- Surpresa? Não, e eu ainda não te vi.

Sentindo seu corpo perfeito junto do meu, sabendo que seria a ultima vez, uma lágrima me escorre do olho direito, ao mesmo tempo em que perfuro a têmpora dela.

- Adeus - consigo dizer antes de cair em prantos.

Cuidadosamente escalpelo sua cabeça e guardo seu cabelo, escolho a perna direita que se você olhasse com cuidado veria marcas de mordidas que outrora eu mesmo havia deixado, separo-a do corpo, retiro a carne para a viagem de volta, os tendões para usar de cordão e o fêmur que será usado mais tarde, retiro também as orelhas, o nariz a língua e seu clitóris, mais tarde todos serão muito úteis.

Coloco-a no ombro, e a levo para dentro, para sua cama, a deixo lá para o sono eterno.
O fêmur, vira uma flauta de dar inveja a qualquer cigano, seu clitóris um petisco para o primeiro dia da viagem de retorno, os tendões e orelhas uso para reparar dois furos em meu colete, já o nariz. Ahh o nariz, esse é meu troféu.

E agora Baby, estarás sempre comigo, e eu livre dessa sensação horrível de vazio deixada pro ti.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Menestrel

- Sejam bem vindos caros colegas. Por este preço módico presenciarão o ultimo espetáculo que terão vontade de ver. Depois deste espetáculo, nenhum outro existirá, não para vocês.
Disse o menestrel.
- Entrem e sentem-se, o show logo irá começar.
- Não, não, não! Não ousem dizer uma palavra se quer, o show é para ser visto e ouvido, não interagido.
- Um minuto será contado neste relógio. Relógio que está no centro do palco.
- 60, 59, 58, 57, 56, 55...
Dando as costas o menestrel sai pela coxia.
- (...)43, 42, 41, 40, 39(...) tun, tun, tun...
Com passos ligeiros nosso amigo deixa a tenda do espetaculo.
- (...)31, 30, 29, 28, 27(...) Splash...
Roupas jogadas no chão, mascara jogada numa poça.
-(...)18, 17, 16, 15, 14(...) Bip Bip...
Entra no carro.
- (...)12, 11, 10, 9, 8(...) Tum...
Sai com o carro.
- (...)5, 4, 3, 2, 1. Rooooom...
Um brilho cega a todos, uma rajada de vento os empurra, o calor os queima, o conjunto os despedaça.
- Kabum!
Fim!

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Corra

Andando para o horizonte.
Correndo contra o vento.
Sem se importar ou lamentar.
Sem ao menos lembrar.

Preocupações? nenhuma.
Tudo que tenho, numa trouxa carrego.
Um mundo em uma trouxa.
Um mundo de loucuras.

De louco me chamas.
Pois o fim, próximo está.

E no fim, caminho ao penhasco.
Caminho a boca do crocodilo.

Mais um passo, e adeus.
Mais um passo, liberdade.
Mais um passo, tranquilidade.

Adeus trouxa.
Adeus mundo.
Adeus mundo trouxa.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Balança.

Corda, madeira.
Corda amarrada na madeira.
Corda, pé.
Corda amarrada no pé.
Chama-se O Enforcado.
Um mundo de cabeça para baixo, um balançar, uma brisa vinda de longe, de muito, muito longe.

Balança, balança.
Balança de cabeça para baixo.
Balança preso pelo pé.
Balança numa camisa de força.
Prendendo a culpa em seu peito.
Mundo interno, interno mundo, preso a ele você está, sem ao menos lutar.

Barba no rosto.
Rosto surrado pela idade.
Cicatrizes pelo corpo.
Tudo balança, menos o mundo.
Preso sem nem querer estar, preso sem lutar.

No final...

O mundo

de cabeça para baixo,

está!

E eu, me balanço.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Duelo travado contra você.

O cheiro do orvalho já começava a se dissipar, o vento frio da manha já estaria em outro lugar, um campo de belos lírios enchiam meu olho de ternura. Eram quase dez da manha quando aquele velho senhor veio até mim.

Confesso a vocês que não estava disposto a prestar atenção em tal homem, o silencio da minha mente era bom demais, mas em meus versos, assim como na vida real, as vezes temos algum impertinente atrapalhando alguns bons momentos.

- Posso me sentar garoto?

Antes mesmo de que eu pudesse acenar com a cabeça, o velho já estava sentado ao meu lado, observei a bela cena por mais alguns instantes...

Eu tinha passado a noite toda esperando para ver o sol da manha batendo nesse campo, mas esse velho impertinente viria atrapalhar minha concentração, mas para dizer a verdade, eu já o esperava.

- O que procuras? - Disse o velho em um tom nada agradável.
- Paz? - Respondi em um tom menos agradável ainda.
- E como alguém que mata, mesmo que apenas em versos, acha que pode alcançar a paz?
- Depende no que você acredita, em algumas culturas a morte é libertadora.
- ...mas na minha não - O coitado agora tentava ser sarcástico.
- Felizmente amigo, este não é o meu caso.

Começo a caminhar por entre os lírios, o sol já estava a queimar minha pálida pele, ao andar entre os lírios o pouco de orvalho que ainda resta nas flores passam para meu corpo e me refrescam. Chego em uma majestosa macieira, apanho o fruto proibido, me sento recostando minhas costas no tronco gelado, dou uma bela mordida na maçã, seu gosto é tão doce, que faz lembrar-me de um beijo que outrora fora roubado de mim.

- O profanador se alimentando do fruto proibido.
- Ainda está aí meu bom senhor, não poderia respeitar meu raro momento de descontração?
- Então daí que vem sua maligna inspiração! - acompanhando a infame afirmação o velho me presenteia com um belo sorriso, deixando-me ver os dentes que ele não tem.
- Argh é por isso que sua conversa é podre.
- Criança, em toda minha longa vida, em toda minha vasta experiência, nunca vi alguém tão patético quanto você.
- Essa vasta experiência e essa longa vida que você diz ter, só me mostram que você morrerá primeiro, velho!

Ao termino da deliciosa fruta, empenho-me a atirar seu fruto o mais longe possível, quem sabe um filho meu não coma uma bela maça de uma árvore que veio da semente que hoje atiro ao mundo...

Abaixo minha boina tampando o sol que machucava meus olhos, dou uma espreguiçada, um bocejo escapa da minha boca, e mais uma vez quase esqueço que o velho está lá, para me pentelhar.

- Olhe para mim quando falo com você - empurrando minha boina para o alto.
- Antes de pedir meu respeito, velho, tenha o bom senso de deixar os outros descansar em paz.
- ...mas essa não é a hora de descansar meu filho, o mundo está um caos, a fome, a tristeza e você só pensa em dormir...

Depois disso não me lembro ao certo, tudo se transforma em um 'blá blá blá', até que eu pego no sono.

Algumas horas se passam, até que uma maçã podre cai em meio aos meus pés e eu desperto, incrivelmente o velho, perdido em seu inflado ego ainda está a discursar.

- ...e é por isso que você deveria...
- Velho, me diga uma vez por todas onde você deseja chegar com tudo isso? - Pergunto eu quase que indignado.
- Eu? Faze-lo acordar de que tudo que está errado, de o que você está fazendo em sua vida é...
- Ah sim, e você no alto da sua prepotência acredita que eu não sou capaz de julgar o que é certo e errado na minha vida? Só por você ter valores diferentes de mim?

Rindo, o velho agacha, pega a maça e lhe da uma mordida. Agora finalmente estamos cara-a-cara, seu bafo horrendo quase me cega, vejo horror em seus olhos, seu rosto agora parece-me familiar, por alguns momentos chego a achar que falo com o Diabo, mas não.

- Criança, você não deve ser assim, não deve expressar coisas ruins, não deve viver a sua vida como vive, só por gostar... - diz o velho perdendo a paciência.
- Talvez você ainda não tenha entendido uma coisa velho, não importa quem você seja, não importa o que seja, não me faz diferença alguma a sua opinião.
- Há! - grita o maldito impertinente - Estás a perder a compostura, mas logo perceberá que estou certo, quando tiveres idade suficientes, quando você entender Deus.
- Há? - um riso quase incontrolável toma conta de meus lábios e me impedem de continuar a frase.
- Olha só, alem de um jovem vagabundo, com a ilusão de ser alguém é um impertinente!

É nessa hora que reconheço o desgraçado que me atrapalha. Então calmamente digo:

- Velho, até agora não tinha notado quem é você, mas agora já sei.
- É, e quem sou? A voz da verdade?
- Da sua verdade pode ser, mas a questão é que você, velho, é meu meu lado porco, sujo e imbecil, o pouco que sobrou da cultura que infelizmente é imposta a todos nós, mas agora, reconheci sua verdadeira face. Você velho, é o pedaço de mim que acabo por matar em algum verso aqui e ali, e gostaria até de ter te encontrado antes para agradece-lo! Sim agradece-lo, pois te matar em versos faz com que te mate dentro de mim, logo você não desaparecera da minha realidade, e será lembrado apenas nos versos que sobrarem.

Até então a face do velho perambulava apenas entre risos sarcásticos e um certo horror por me ver, mas agora, pela primeira vez, vi surpresa e medo em sua face.

- ...mas então meu velho, alem de algo podre em mim, posso dizer que você também é todo aquele que um dia me deu opiniões impertinentes, todo aquele que um dia desejou que eu não fosse quem sou, todo aquele que sente inveja e medo de me ver no que me tornei, VOCÊ meu caro a(ini)migo, é até mesmo o leitor que agora se pergunta o quão presunçoso eu sou, pois até ele não deixei de fora, até ele estou a atacar. O que importa meu velho, é que graças a você alguém ou algo geralmente vai morrer em meus versos, você é a minha inspiração, vê agora quem é o nojento? Agora relaxe, hoje ninguém vai morrer, pois deixarei que você vivo com a vergonha que agora lhe causei, pois outrora você infelizmente não me deixou ter a paz que eu procurava, então te farei beber do mesmo veneno, e quem sabe ele te mate, mas isso não me fará ser mais feliz ou triste, mas quem sabe assim, terei minha tão sonhada paz, cada vez mais longe de sua ignorância.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Ao por do sol

Não sei direito que horas eram, sei que o sol já estava alcançando as montanhas do horizonte quando decidi que pela ultima vez veria aquela que roubara meu coração noite passada. Ascendi um cigarro de palha, dei um ultimo gole naquele whisky com gosto de urina, dei um beijo na testa de May e saí a galope. O mais rápido que meu velho cavalo aguentava, sentia o vento frio do inverno cortar meu rosto, já não sou forte como antes, hoje em dia até isso faz diferença.

- Calma amigão, é perto, não vou abusar de você.

Poucos minutos se passaram, até que eu a vi em cima daquele que seria seu ultimo palco, a cidade toda estava lá para assistir o espetáculo, do padre ao profano xerife, até alguns dos loucos da rua doze foram apreciar o evento.

Com certeza ela ficara surpreendida de me ver ali, mas o terror realmente já tinha tomado sua feição, e ela era boa demais para demonstrar qualquer outra emoção se não a esperada pelo publico.

Um corvo passou de uma árvore para a outra, e por um segundo me fez desviar o olhar daquela linda moça. Quando finalmente voltei minha atenção a ela, percebi que me olhava fixamente nos olhos, dada as circunstancias aquilo foi um tanto quanto aterrador, seu rosto agora começava a mudar de feição, uma certa paz emanava de seu novo olhar. As pessoas que assistiam quietas esperando o fim, pareciam não entender, como se a atuação da bela moça os assustasse.

Alguns instantes se passaram, nada fora dito, só o barulho do vento e a respiração ofegante de um garoto que subira a montanha correndo. Juro que algumas vezes achei que ela fosse falar algo, chegava até a ouvir resmungos, mas eu não sabia se era ela tentando iniciar um discurso, ou algum dos tuberculosos da cidade.

- Vamos logo com isso - Gritou um velho moribundo.

Foi então que o banco em que ela pisava fora chutado, o tranco de seu corpo fez seu corpo estalar, estalo que provocou um silencio mortal, mas confortante.

Seus olhos ainda estavam fixos, me observando, o sol já encosta nas montanhas, o brilho de seu olhar é um brilho que eu nunca vi antes. Esse brilho ia sumindo, junto com o sol, mais uma vez acho que ela vai falar algo, mas não dá, sua garganta fora amarrada pelo destino, o máximo que ela pode fazer é soltar gemidos incompreensíveis, agora é tarde demais.

Com o por do sol, todo o movimento de seu corpo acaba, todo o brilho de seu olhar desaparece, para mim só resta uma carcaça vazia, uma linda carcaça vazia. Agora eu sei que é hora de ir, e que nunca mais nos veremos outra vez.

Desço do cavalo, começo a puxa-lo pelas rédeas e me coloco a caminhar de volta ao Cabaret, pensando em voz alta:

- Qual seria o nome dela? Não sei, nunca pergunto o nome das putas metidas a atriz com quem durmo... Uma por noite, seriam muitos nomes para lembrar. E qual será o motivo por ela ter sido enforcada?

Bom, na verdade nada disso importa, afinal, no fim de meus versos elas sempre morrem.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Ultimo amor

Levando-a nos ombros contava os passos até nosso trágico destino.

- Vinte cinco, vinte seis, vinte...

- Argh, SO-CO-CORROO!

Sinto uma grande descarga de adrenalina e num lampejo de fúria a jogo contra a parede. "Paff" fez o estalar de suas costas, agora, ambos sabíamos que era a hora.

Puxei-a para o meio do corredor, em quando abaixava a cabeça e sentia o cheiro forte e único de seu sangue, novamente ela começa a gritar:

- Não! Po-por fav - ela sabe que é hora de parar.

Silêncio, como eu amo o silêncio, nessa altura ela também já sabia que não havia escapatória, era nosso destino.

Me coloco sobre seu corpo, e é quando eu vejo em meio ao seu peito um pingente com a imagem de jesus, com um golpe seco arranco o pingente, ela nem se assusta, já sabe que nem mesmo ele pode ajuda-la, pois em meio a esses versos, o Deus, sou EU.

Com graça começo a despi-la, a transformo em uma virgem qualquer em sua tão esperada noite. Beijos doces por seus seios rosados, carinhos em seus cabelos vermelho rubro, de relance percebo um sorriso acanhado, e agora sei que finalmente a conquistei, descendo mais um pouco continuo a contorna-la de beijos, retiro agora o que sobrara de sua calcinha, e começo a morder sua virilha.

- Meu amor - ela diz.

Bom meu trabalho aqui acabou, com um golpe seco enterro minha faca em meio ao seu peito, sangue jorra da ferida como um poço de petróleo recém descoberto, levanto me apoiando em seus joelhos, limpo meu rosto na camisa e volto para casa, feliz por mais um dia de trabalho cumprido.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Ela

Abro os olhos, sem nem saber que estavam fechados, olho ao redor e tudo parece estar turvo, como se estivesse debaixo d'agua, mas não é esse o caso, pelo menos, eu acho que não.

- Como cheguei aqui? Não faço ideia... Isso está ficando cada vez mais comum...

Começo a me dar conta de que esse não é um lugar tão agradável, não tão agradável quanto as outras vezes que acordei sem lembrar como cheguei, pelo contrario, é bastante perturbador, então uma explosão de sentimentos tomam conta de mim, uma mistura de raiva, tristeza e culpa, de algo que nem sei o que. Só agora começo a ter controle total de meus sentidos e sentimentos, percebo ao fundo uma respiração um pouco ofegante, as vezes alguns gemidos, vindo de algum lugar bem perto.

Saio do aposento que me deu a luz na quele dia, vou atrás do barulho, passo por um corredor decorado com jornais, nas paredes, no této, no chão, mas minha visão ainda está um pouco turva, não consigo saber do que se trata, alguns passos a frente já vejo uma luz que sai de uma das portas do final do estranho corredor. Existem muitas coisas no caminho, pedaços de madeira, móveis velhos e outras coisas das quais eu prefiro nem falar.

Mesmo com tantos obstáculos e minhas pernas um tanto quanto bambas, não encontro dificuldades para chegar ao final do corredor, é como se eu já conhecesse um caminho seguro no meio daquilo que parece armadilhas, não para a morte, mas para o tétano.

Entro na sala, meu coração dispara, logo me deparo com mais jornais, agora consigo ler, todos eles falam de crimes macabros envolvendo garotas.

Dois passos a dentro e o que eu vejo é sangue nos jornais, ao invés de sentir horror ou asco, me vi alegre, como se estivesse em paris vendo alguma obra de arte de Da Vince, mais dois passos e agora vejo de onde vinha o sangue. No chão, uma jovem de pele clara, cabelos vermelhos, amarrada, de pernas abertas. Ao me ver o suspiro da lugar ao grito, a respiração ofegante da lugar ao choro, e um grito corta a sala.

- NÃO!

Assustado, olho para baixo e só agora percebo, mesmo sem tocar em nada desde que saí do quarto em que acordei, minha mão está cheia de sangue, e esse sangue definitivamente, não é meu.

quinta-feira, 13 de março de 2008

A garota....

Num belo vilarejo,
Mora a pura garota,
Não conhece o bem,
Nunca viu o mal...

Nascida da paixão,
Paixão que desapareceu,
No dia em que ela nasceu...

Cabelos sedosos cor de mel,
Olhos brancos e inúteis,
Seios fartos, mamilos rosados,
Sem pernas e sem braços...

A garota não fala,
A garota não sente,
A garota não sorri,
A garota não chora!

Dizem que foi maldição,
Jogada por uma bruxa má,
Dizem que foi a peste,
Que destruíra o ventre da mãe...

A garota não fala,
A garota não sente,
A garota não sorri,
A garota não chora!

Na verdade é mutação,
A bela vila fora infectada,
Infectada pela radiação,
Liberada pelo acidente...

Um acidente bem escondido,
Um acidente nunca comentado,
O acidente de um objeto,
...nunca identificado!

A garota não fala,
A garota não sente,
A garota não sorri,
A garota não chora!

sexta-feira, 7 de março de 2008

Sentimento Palido

Oh minha querida...
Minha pálida amada.
Jure que não vai se irritar.
Outrora errei sim, eu sei.

Era tudo tão intenso...
Eu não tinha outra escolha.
O que mais eu poderia fazer?
Só queria você aqui, comigo...

Você me prometeu...
Amor eterno você jurou!
Confissões lindas você fez.
Meu corpo profanou.

Depois da fria noite
Eu não vivia mais...
Não comia, não respirava..
Foi quando decidi!

Sim amor, foi por isso...
Por isso roubei seu coração!
Você dissera que era meu...
Não! Não fique triste amor!

Hoje o rubro orgão foi salvo.
Pai do mais nobre sentimento.
Seguro, mas sem seu pulsar.
Habitando a terceira gaveta.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Só um rabisco

Inico do que um dia será um livro =)

Só para não deixar mais tempo sem atualizar, aí está:



Cria Pecaminosa

Sua pele era vermelho rubro,
Corpo escultural e marcado,
Símbolos misteriosos e belos,
Feição aterradora e curiosa,
Conhecido pelo ódio e o rancor.

Um corpo delicado e pálido,
Olhar divino e seios fartos,
Asas lindas apenas de ossos,
Cativa-nos com seu lindo olhar,
Conhecida pela orgulhosa avareza.

A frente do rubro exercito,
Vemos nosso odiado amigo,
Imponente demônio exilado,
Meu glorioso Pai.

A frente da pálida legião,
Vemos nossa orgulhosa anfitriã,
Estonteante anjo caído,
Minha vingativa mãe.

A curiosa guerra fora iniciada,
Veio para decidir o destino,
Destino de todos vocês mortais.

A mistura sanguinea fora feita,
Não da guerra, mas da união,
União pecaminosa pós guerra.

Do ódio nasceu o desejo.
Filho do rubro amor e da palida luz

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Meu belo e doce neofito.

Esse texto já é um pouco antigo, mas eu dei uma mudada nele hoje, e também foi corrigido pela Adns =]

Aí vai:

Meu belo e doce neofito.


Olá meu caro neófito, então quer dizer que o senhor é o mais novo candidato a meu sucessor? Sim... Sim... Eu sei você têm belas referencias... Todos têm...
Vou começar lhe contando uma historia, é quase um conto de fadas, mas nesse caso felizmente as fadas não aparecem.
Não ouse me interromper meu caro, nem pense nisso. Antes de começarmos, queira fazer-me a gentileza de fechar esta janela, pois esta lua cheia me incomoda um pouco. Muito obrigado. Agora sente-se... Ora... Sente-se onde bem entender, temos tantos lugares, só não vá ficando muito a vontade meu caro, lembre-se que você é apenas um neófito e eu posso me zangar.

Calma, já vou começar a historia, só quero lhe pedir, que abra esta maldita janela, pois está muito quente. Ah sim... Sim... A lua está muito bonita hoje, não?

Bom, vamos começar. Muitos anos atrás, no lugar onde encontra-se hoje, este prédio, existiu um feudo, você sabe o que é um feudo, não meu caro? Sim, minha família veio de senhores feudais, pode-se dizer que eu mesmo fui um deles. Calma meu amigo, foi só uma piada.

Espere. Uma coisa me perturba... O que faz essa maldita janela aberta em um dia de lua cheia? Todos aqui sabem que eu odeio lua cheia. Pode fechá-la para mim meu belo neófito? Obrigado. E por que esta cara de assustado minha criança? Serei eu um monstro?

Ah, vou continuar a historia... Éramos uma bela família feudal, nosso feudo era um dos mais belos e ricos, até que nossa alegria foi roubada por uma peste... Ora, qual o motivo desta janela estar fechada? Eu odeio calor, em noites de verão, todas as malditas janelas de meus aposentos, devem permanecer abertas. Eu mesmo terei de abri-las? Ninguém me escuta mais? Oh muito obrigado por abrir a maldita janela, vejo que você será um bom companheiro, só me incomoda essa sua cara de assustado, sei que sou feio, mas não é para tanto, não é meu caro?

Então, vamos continuar... Onde é mesmo que eu parei? Ah sim, a peste... Pessoas e animais de nosso feudo apareciam completamente sem sangue, os médicos dizem ser a peste das veias secas, mas o nosso padre veio dizer de demônios sugadores de sangue, hahahahaha. Espere o que a janela faz aberta? Vou eu mesmo fechá-la! Estes malditos carniçais imbecis e inúteis, não entendem que em luas cheias as janelas de meus aposentos permanecem fechadas...

Está ouvindo? O som dos lobos... Malditos lupin... Você está pálido jovem, se sente bem? Então posso continuar com a minha historia? Você já ouviu falar desses “demônios sugadores de sangue”? Assustador não é? Mais assustador quando o jovem padre me disse que tais demônios, procuram jovens ricos e inteligentes, assim como você, para transformarem em demônios iguais a eles...
No que eu quero chegar com isso? Logo você entendera meu belo neófito, logo... Venha deixe-me lhe dar o abraço... Por que se afastas? Claro que sim, essas presas são minhas, mas o que tem de errado nelas?

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

O Início

O intuito deste "blog" é ter um arquivo organizado por data de criação de meus textos, os textos julgados com a qualidade necessária para saírem do mundo obscuro (também conhecido como "Google Doc's" rs) serão postados aqui. Na realidade, eu tenho uma boa organização no meu mundinho "GD", mas isso impossibilita que alguém tenha livre acesso ao texto/poema/devaneio/frescura que escrevi e julguei ser de alguma forma proveitoso, quem me conhece vai achar que fiquei louco, pois nunca publico nada, mas as coisas mudam, e ultimamente mudaram muito, mas vamos ao que interessa, isso aqui não é nenhum diário e não vou desabafar por aqui. rs

Ambos os pseudos poemas que vou postar não são das minhas melhores crias, mas são duas coisas que criei especialmente para dar esse início, o segundo está até um pouco "chulo", mas não passa de um sarcasmo idiota que não espero que alguém entenda, mesmo porque, não é o propósito do blog vocês entenderem o que eu escrevo, afinal nem eu entendo muito bem.

Felicitações da rua trinta e três.

Em uma grande rua cinzenta.
Com sete lírios únicos.
Existe uma casa dos sonhos.
Dentro dela três belos quartos.
Um dos quartos agora é vermelho sangue.
Sangue de dois corpos assassinados.
Quatro facadas na moça de cabelos ruivos.
Dois golpes de machado no belo rapaz.
Esse casal tinha um filho.
Uma bela criança com nove anos.
Responsável pelas duas mortes.


Realidade Trinta e Três

Treze um belo número.
Rico de significados.
Indiferente para muitos.
Notoriamente mal julgado.
Treze, o azar do renascimento.
Azar que muitas vezes eu anseio.

Enlouquecido de significados ocultos.

Trago a vós meu maior anseio.
Renascer como uma fénix.
Entregando-me apenas ao conhecimento.
Surgindo das cinzas da sabedoria.